quarta-feira, 4 de junho de 2014

Atravessando a faixa



Ao sair de casa estava tão perto de tudo
Que a própria caminhada tinha ficado curta
Nem percebe que já tinha chegado na faixa

Era hora de parar e esperar os carros
Mas fiquei surpreso ao olhar o sinal
Mal coloquei os pês e eles pararam
E eu era o único a passar pela faixa

Nossa!
Foi a travessia mais longa que já fiz
Senti como se fosse um dia especial
E acabei lembrando que sim

Era um dia que nunca mais voltaria
E não porque os carros pararam
Nem ao menos pelo acaso
Porque todos os dias
Temos uma faixa para atravessar

Essa sim foi peculiar
Não foi só do trânsito
Nem do medo das buzinas
Foi a faixa do tempo, da vida,
E de mais um ano que se completa.

sábado, 31 de maio de 2014

Lá fora



Hoje é mais um dia como qualquer outro
Lá fora passam carros, e lá fora passam pessoas.
Lá fora cantam os pássaros e as cigarras
E lá fora ouço vozes, e lá fora tem trabalho
Lá fora tem tudo o que todos os dias têm.

Mas hoje eu acordei sem saber onde
Os meus olhos estavam lá fora
 Os meus ouvidos, minha voz, meus sentidos...
Velejando em um barco naufragado

Lá fora é um grande espelho quebrado
Sombreados em nossos corpos
Onde as peças nunca se completam

E quando se quebram
 As lágrimas é o que sobra
 Para preencher as lacunas
Que o tempo não deixou fechar

As rosas estão ruídas
Os espinhos não machucam mais
As raízes estão sem forças

Hoje é mais um dia como qualquer outro
Mais uma rosa morre
Mais uma folha cai
E gravidade fez o seu trabalho
Mas a vida é teimosa
Ela vai lá...
E faz outra...

sábado, 8 de março de 2014

Ela




Pensei em da alguma definição
Cheguei até estudar alguns conceitos
Me desdobrei pela historia
E acabei descobrindo que a cada geração
Uma transformação, uma percepção, um chavão
E que se eu fosse da algum significado
Estaria limitando todo esse conjunto genético
Diluído nessa forma humana de ser...
Do sexo frágil, delicado, sentimental
E ao mesmo tempo
Resistente, voraz e cheio de esperanças
Enfim,
Não precisa de flores, nem bombons 
Nem o romantismo de janela 
Nem mesmo o príncipe cheio de estereótipos
Para mulher ser mulher.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Candeeiro

É tão ruim lembrar quando se esta do lado de fora
Caminhando ao longo desta calçada e suas varandas
De tardes longas e de boas prosas jogadas fora
Ainda te vejo sorrir ao ouvir o vento passar
Entre as flechas do portão e os coqueiros a dançar

A cada passo dado sinto passar uma eternidade
É, parece que não estou mais no mesmo lugar
As paredes foram pintadas e as cadeiras foram trocadas de lugar
E suas cores se foram junto com as plantas que não existem mais
Os ventos de noroeste não chegam mais lá.

Deitado em meu leito de sono nos lenções de beijos quentes
Iluminado pelo calor de um candeeiro solitário
Jogado ao canto de uma das paredes da porta
Sinto-me como um forasteiro de mim mesmo
Quebrando as correntes de uma tranca quebrada

Mim despojando no céu de estrelas sem lobos
Contorcendo-me naquele espaço gelado
E limitado por sua casa aconchegante
De belos sucos açucarados de favos de mel

Como é bom uma soneca após o acordar do amanhecer
Como é bom caminhar e lembrar que os momentos não acabaram
Estão guardados no cantinho do quarto
Na varanda de casa, no sofá velho do quintal
No presente do peito deste coração que bate agora
E leva o sangue que um dia aqueceu a sua fogueira.