terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Candeeiro

É tão ruim lembrar quando se esta do lado de fora
Caminhando ao longo desta calçada e suas varandas
De tardes longas e de boas prosas jogadas fora
Ainda te vejo sorrir ao ouvir o vento passar
Entre as flechas do portão e os coqueiros a dançar

A cada passo dado sinto passar uma eternidade
É, parece que não estou mais no mesmo lugar
As paredes foram pintadas e as cadeiras foram trocadas de lugar
E suas cores se foram junto com as plantas que não existem mais
Os ventos de noroeste não chegam mais lá.

Deitado em meu leito de sono nos lenções de beijos quentes
Iluminado pelo calor de um candeeiro solitário
Jogado ao canto de uma das paredes da porta
Sinto-me como um forasteiro de mim mesmo
Quebrando as correntes de uma tranca quebrada

Mim despojando no céu de estrelas sem lobos
Contorcendo-me naquele espaço gelado
E limitado por sua casa aconchegante
De belos sucos açucarados de favos de mel

Como é bom uma soneca após o acordar do amanhecer
Como é bom caminhar e lembrar que os momentos não acabaram
Estão guardados no cantinho do quarto
Na varanda de casa, no sofá velho do quintal
No presente do peito deste coração que bate agora
E leva o sangue que um dia aqueceu a sua fogueira.