domingo, 12 de maio de 2013

Uma prosa com a xícara


Às vezes um dia não parece nada
Mas sentado numa cadeira de balanço
Observando a fumaça do café
Debruçada numa xícara,
Que as curvas não fazem mais sentindo
Vemos quanto é infinito o dia

Nem mesmo a cadeira de balanço
Que o tempo deu conta de amaciar
Não deixa a efemeridade dos meus cabelos brancos
Nem as rugas que se apoiam nas minhas linhas
Envelhecer as flores que guardei de você

Nem o mel que as jovens abelhas ainda conseguem produzir
Podem Tirar o doce que tenho de você
Para mim ainda é de manhã
Mas o sol já deve se por

A fumaça na xícara não tem mais
O café parece frio
E ainda não tenho saudades

E hora de levanta-me e ver se ainda existe fogo na lenha
Já ouço os assovios das arvores
E os grilos cantando
Baleia ainda não chegou
E as cinzas do cigarro queimam meus pés

Que bom saber...
Que sinto dor
E que posso ouvir minha melhor companhia chegar
Quando à tarde ainda dá tempo.