Às vezes um dia não parece nada
Observando a fumaça
do café
Debruçada numa
xícara,
Que as curvas não fazem mais sentindo
Vemos quanto é infinito o dia
Nem mesmo a cadeira
de balanço
Que o tempo deu conta
de amaciar
Não deixa a efemeridade
dos meus cabelos brancos
Nem as rugas que se apoiam
nas minhas linhas
Envelhecer as flores
que guardei de você
Nem o mel que as jovens abelhas ainda conseguem produzir
Podem Tirar o doce que
tenho de você
Para mim ainda é de
manhã
Mas o sol já deve se por
A fumaça na xícara
não tem mais
O café parece frio
E ainda não tenho saudades
E hora de levanta-me
e ver se ainda existe fogo na lenha
Já ouço os assovios
das arvores
E os grilos cantando
Baleia ainda não
chegou
E as cinzas do
cigarro queimam meus pés
Que bom saber...
Que sinto dor
E que posso ouvir
minha melhor companhia chegar
Quando à tarde ainda
dá tempo.

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